Tragédia da Chapecoense: quando é preciso falar com seu filho pequeno sobre a morte


A notícia da tragédia com a Chapecoense me deixou arrasada. Perdi um amigo querido, o Guilherme Marques. Jornalista talentoso, ser humano incrível. Chorei muito durante todo o dia do acidente imaginando o sofrimento do Guilherme e dos outros passageiros daquele voo fatídico.

Ao chegar em casa à noite, estava devastada. Meu filho Tiago, de apenas três anos, percebeu minha tristeza e perguntou: mamãe, por que você está triste?

Eu disse que tinha perdido um amigo. Achei que ele ia ficar satisfeito e que poderia encerrar a conversa por ali.

Mas ele continuou: então seu amigo morreu? Qual o nome dele?

Eu disse: sim. O nome dele é Guilherme
E perguntei: você sabe o que é morrer?
Ele respondeu: é não viver?

Eu disse que sim e perguntei: mas o que é morrer?

Ele respondeu: mamãe, morrer é assim: o policial pega a arma, dá um tiro e mata a pessoa. Entendeu?

Eu fiquei surpresa com o entendimento dele sobre esse assunto e disse que as pessoas podem morrer de várias formas. Expliquei que o meu amigo Guilherme morreu porque o avião em que ele estava caiu. E que havia morrido muita gente boa junto.

Ele não perguntou mais nada e pediu pra eu contar uma história porque queria dormir. Percebi que fiz a coisa certa ao contar pra ele o que realmente aconteceu. Se tivesse dado uma desculpa, talvez ele ficasse confuso ao me ver chorando em outros momentos, ainda mais neste caso de comoção nacional, que ocupa espaço em todos as noticiários.

Desta situação, tirei algumas lições que podem servir de dica pra quem passar pela mesma situação.

– Nunca antecipe o debate sobre temas polêmicos que podem causar confusão da cabeça do seu filho, mas se ele perguntar, não minta!

– Responda a pergunta que ele fizer. Se ficar satisfeito, encerre o assunto. Se fizer mais perguntas, explique de forma sincera, usando uma linguagem que ele possa entender.

– Se abaixe para conversar com ele olhando nos olhos quando for falar sobre algum assunto que possa deixá-lo triste ou inseguro.

– Esteja atenta às suas reações. Nos dias seguintes, observe o comportamento… se seu filho está triste, isolado, mais calado do que de costume ou agressivo. Observe também se ele não está extravasando os sentimentos através de desenhos. Pergunte se ele quer contar o que desenhou.

– Converse com a professora para saber se o comportamento mudou na escola. Em caso positivo, peça suporte do psicólogo do próprio colégio.

– Se o assunto for morte, mostre à criança que a pessoa que morreu continua morando no nosso coração.

– E o mais importante: dê muito carinho para que seu filho tenha a certeza de que, aconteça o que acontecer, você estará sempre pronta para um abraço apertado!!

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado. Preencha todos os campos marcados *