A Chegada da Nina trouxe um outro olhar sobre a Síndrome de Down


Eu com quase 40 anos, mãe do Theo, na época com 3 anos de idade, achava que já conhecia tudo sobre maternidade, até que me vi grávida novamente. Durante os exames gestacionais, apareceram alguns indícios de que a bebê poderia nascer com alguma síndrome, possivelmente Síndrome de Down.

Não imaginava que este serzinho, seria a protagonista de grandes mudanças na minha vida. Por sua causa, finalmente abri meus olhos para um mundo novo e desconhecido.

Nina chegou com tudo: afastando as cortinas, abrindo os vidros e escancarando persianas. Através desta janela, passei a ter um  outro olhar sobre a Síndrome de Down e as mais variadas deficiências. Este novo olhar me mostrou que somos todos iguais em nossa singularidade, somos todos especiais por sermos todos únicos. Mas nem tudo são flores: da mesma janela também vejo dificuldades e desafios, e muito caminho a percorrer. Enxergo uma educação regular não inclusiva, percebo pré-conceitos e avisto intolerância.

Com frequência me pergunto, como o mundo vai tratar a minha filha? A resposta está  sendo construída um dia após o outro. Entre frequentes consultas médicas de acompanhamento, terapias, muitas risadas, beijinhos e carinhos, vamos tocando nosso dia-a-dia e aplaudindo a Nina a cada conquista.

Ninoca me  trouxe uma luz que faz com que eu me enxergue melhor, encontrando pré-conceitos que eu nem imaginava que possuía, mas também encontrando muita vontade de lutar por um mundo melhor.

Uma vez comentaram comigo que a síndrome de Down é como um manto, que cobre o seu bebê. No início aquele pedaço de pano é tudo que você consegue ver. Você repara na textura do pano, na sua cor, na sua estampa… Com o tempo, você puxa um pouco o tecido, e descobre que tem um olhinho brilhando, olhando para você. Puxa mais um pouquinho, e vê uma mãozinha dando oi. E quando você menos imagina, descobre que por debaixo daquele manto tinha um bebê lindo, pronto para ser amado e estimulado, independente de quaisquer atrasos motores ou cognitivos. Nesse dia você joga o manto longe. Não porque ignora ou se ilude sobre a sua condição, mas porque descobre finalmente que seu filho é muito mais que a soma de seus cromossomos.

Às vezes me perguntam como é ser mãe de uma criança com Síndrome de Down… é difícil responder…
Mas responder como é ser mãe da Nina é bem facinho!

Luciana Freire

 

 

 

 

 

4 Comentários

Patricia Vasconcellos
Reply 03/21/2016

Lindo depoimento e verdadeiro pois vejo seu amor em cada movimento seu com a Nina, seu olhar, seu toque, e vejo que ela sente todo esse amor direcionado a ela!

Kelly Rego
Reply 03/21/2016

Sempre achei que o amor faria de você a mãe e o ser humano que jamais imaginasse que pudesse ser. A Nina certamente contribuiu muito pra isso e a cada dia você conhecerá a capacidade que tem de se superar e de lutar por algo melhor por você e por eles.

Rosali
Reply 03/21/2016

Lindo e emocionante depoimento que retrata muito bem a grandiosidade que é ser MÃE com todas as alegrias, desafios, amor, preocupações e esperança !!!!!! Parabéns Lu !!!!!!! <3

selma
Reply 03/21/2016

Lindo seu depoimento. Acompanho seus cuidados, seu carinho, seu amor diariamente. Ela é uma criança adorável e feliz.

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